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Um médico que não para

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Um médico que não para

O Doutor João Dias Junior é um polivalente: com Residência em Medicina Social com ênfase na área de Epidemiologia, ele é Médico do Trabalho, Especialista pela ANAMT (Associação Nacional de Medicina do Trabalho). Além disso, ele também é Especialista em Medicina do Tráfego pela ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego) e tem especialização em Perícia Médica. Em conversa com a Revista Visual, ele fala sobre a interface entre as áreas da medicina em que atua, esclarece quais as atribuições de cada especialidade e conta um pouco sobre o seu dia a dia.

Revista Visual: Doutor, o senhor atua em áreas distintas da medicina: qual o segredo para poder atuar em todos esses setores com competência?

Dr. João: O grande segredo é estudar e se manter atualizado e eu estou em constante processo de aprendizagem. Busco sempre estar me atualizando através de cursos, congressos e especializações. Quanto mais você conhece a fundamentação teórica, mais você acaba tendo certeza do que faz. Agora, estou procurando mais uma especialização, pois tenho como meta estar sempre capacitado e atualizado.

RV: Por conta de todas essas especializações, o senhor trabalha em ambientes bastante diferentes. Como funciona a sua rotina?

Dr. João: Acordo cedo e trabalho entre 12 e 14 horas por dia. Divido meu tempo entre as atividades como Médico do Trabalho em empresas da cidade, além da atuação em minhas clínicas. Como Médico do Tráfego trabalho em duas clínicas credenciadas pelo Detran e na medicina do trabalho sou Coordenador e Diretor técnico da clínica SESMT. E ainda atuo no sistema público de saúde em um posto de saúde. São áreas diferentes, mas que acabam tendo na prevenção um mesmo objetivo.

RV: Explique-nos melhor, como funciona a Medicina do Tráfego?

Dr. João: Bem a Medicina do Tráfego busca diminuir o número de acidentes. Hoje, o trânsito mata mais que muitas doenças. Costumamos dizer que o trânsito tem três variáveis, a via, o veículo e o condutor. As vias, teoricamente, estão cada vez melhores, seja com relação a sinalização e conservação e até mesmo na questão do resgate, já que atualmente contamos com ambulâncias bem equipadas para fazer isso. Os veículos também estão mais seguros com o cinto três pontas, as barras laterais, e o airbag, que a partir de 2015 será obrigatório em todos os veículos produzidos no Brasil.

Quando falamos sobre o condutor é que entra a responsabilidade social do Médico do Tráfego. Cabe a ele selecionar o indivíduo que está apto ou não para conduzir um veículo e participar ativamente na redução da morbimortalidade dos acidentes de trânsito. Por exemplo, um condutor com pressão 18 por 10 ou com uma arritmia cardíaca está propenso a sofrer um mal súbito ao volante e acabar provocando um acidente com danos a si, sua família e até mesmo a terceiros. Ao mesmo risco está sujeito o motorista que não enxerga bem.

RV: E a Medicina do Trabalho?

Dr. João: A função do Médico do Trabalho está associada tanto a questão de prevenção de riscos quanto à perícia médica. Os trabalhadores podem ser agrupados entre os que estão expostos a riscos específicos e os que não estão expostos a riscos. Os riscos específicos podem ser de diversas espécies e a minha função, como Médico do Trabalho é atuar antes que a lesão aconteça. Uma pessoa que passa o dia trabalhando em uma máquina que produz muito ruído, por exemplo, precisa passar por uma audiometria (exame que quantifica e qualifica a audição) periodicamente, todos os anos, para garantir que sua audição não está sendo afetada. O mesmo vale para quem está exposto a poeira ou fumos que deve ter seu aparelho respiratório avaliado através de exames de Raio X e Espirometria ou um trabalhador que fica exposto a produtos químicos, que necessita fazer exames de sangue periódicos para saber se não há nenhuma alteração relacionada a essa exposição que possa acarretar em doenças sérias.

RV: Como Médico do Trabalho o senhor presta serviços para duas das maiores empresas de Guarapuava (Cooperativa Agrária e Santa Maria). De que maneira acontece sua atuação dentro das empresas?

Dr. João: Além de fazer exames periódicos nos funcionários o Médico do Trabalho desempenha uma função muito importante de conscientização. É preciso mostrar para o empresário a importância de medidas preventivas que garantam a saúde do funcionário, afinal investir em prevenção sai mais barato do que gastar posteriormente com tratamentos.

RV: Com relação aos exames que são realizados pelo Médico do Trabalho, quais a legislação exige que o empregador submeta seu empregado?

Dr. João: São cinco exames obrigatórios. O primeiro deles é o Admissional, que serve para confirmar se o candidato está apto para desempenhar a função para a qual será contratado. Temos os exames periódicos, que como já citamos, são realizados periodicamente e sua frequência é determinada pela idade e pela exposição a riscos ocupacionais específicos. O exame retorno ao trabalho deve ser feito em todas as pessoas que se afastarem de suas funções por 30 dias ou mais, inclusive nos casos de licença maternidade. Esse exame visa confirmar se o trabalhador realmente está em condições plenas para voltar a exercer suas atividades. Quando o trabalhador muda de cargo na empresa também é necessário fazer o exame de mudança de função. E ainda o exame demissional, que atesta as condições físicas do trabalhador ao sair da empresa. Todos esses exames são de extrema responsabilidade, pois caso o trabalhador venha a abrir um processo contra a empresa eles serão requeridos. A lei exige que os prontuários de cada trabalhador permaneçam arquivados por vinte anos. Ao realizar esse tipo de exame tento sempre ser justo, tanto com o trabalhador como com o empresário.

RV: Como já dissemos o senhor atua em três clínicas, duas voltadas para a Medicina de Tráfego e uma para a Medicina do Trabalho. Existe alguma exigência para o funcionamento de clínicas dessas áreas?

Dr. João: Só podem atuar como Médicos do Tráfego profissionais com especialização (pós graduação e títulos de especialista da sociedade médica) comprovada na área, em clínicas que sejam credenciadas pelo Detran. É uma norma do órgão e eles costumam fiscalizar com rigor. Na Medicina do Trabalho apesar de a legislação trabalhista definir que tal atividade só poderá ser exercida por médico com especialização na área e só permite esta atividade a médicos não especializados na área quando “inexistindo médico do trabalho na localidade, o empregador poderá contratar médico de outra especialidade para coordenar o PCMSO”, a fiscalização do ministério do trabalho não é tão rigorosa e existem clínicas na cidade que atendem sem contar com este especialista na área mas é importantíssimo que os empresários procurem clínicas que tenham profissionais com especialização na área, para ter uma olhar mais científico sobre cada questão, bem como que as avaliações tenham credibilidade e não venham a ser questionadas judicialmente por terem sido realizadas por profissional sem habilidade na área, podendo caracterizar imperícia médica (incapacidade, a falta de habilidade específica para a realização de uma atividade técnica ou científica).

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