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Padrinhos de Sangue, Uma iniciativa que pode salvar muitas vidas

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Padrinhos de Sangue, Uma iniciativa que pode salvar muitas vidas

A maioria de nós conhece ou já ouviu falar de alguém que necessitou de uma transfusão de sangue, seja por causa de um acidente ou devido a uma cirurgia. O que muitos de nós não sabemos é que várias pessoas que sofrem de doenças como Leucemia, Talassemia, Anemia Falciforme, Câncer Linfático ou Doença Renal Crônica carecem de sangue com frequência. É o caso de Matilde Terezinha de Lemos, 65 anos. Diabética e com problemas nos rins, há três anos e meio Dona Matilde enfrenta uma rotina de três sessões de hemodiálise por semana. “Eu fico feliz por saber que as pessoas doam sangue e acho que ia ser muito bom se mais pessoas doassem”, comenta a senhora.

Foi pensando em pacientes como Dona Matilde que há pouco mais de um ano e meio o Hemocentro de Guarapuava colocou em prática o projeto Padrinhos de Sangue, pioneiro no Estado do Paraná. A iniciativa partiu do Doutor Seme Youssef Reda, Doutor em Biotecnologia e Farmacêutico Bioquímico da instituição. Doutor Reda explica que o tipo sanguíneo e o fator Rh são apenas 4 das 27 estruturas, cientificamente chamadas de fenótipos, presentes no sangue. Através de uma técnica chamada Fenotipagem Eritrocitária o Hemocentro consegue identificar essas estruturas. O objetivo do projeto é mapear doadores e pacientes que apresentem fenótipos sanguíneos com maior grau de semelhança possível, compatibilizando minuciosamente o sangue de quem irá doar com o de quem irá receber, reduzindo a níveis muito baixos as chances de o paciente desenvolver algum tipo de reação ou produzir anticorpos depois de cada transfusão de sangue. “Para identificar potenciais padrinhos de sangue, realizamos um procedimento de busca e captura de fenótipos de doadores com alto grau de semelhança, a um fenótipo de um paciente específico, cruzando informações do nosso banco de dados. Assim que encontramos, selecionamos o candidato a padrinho, para posterior procedimento de informação e ciência de que ele ou ela fará parte do banco de dados de padrinhos de sangue do Hemocentro. Isso só é possível graças ao conhecimento e empenho de toda nossa equipe, em especial do Dr. João Gregório Bohatzuk”, afirma.

Atualmente, cerca de 830 doadores já foram fenotipados e fazem parte do banco de dados. Destes, aproximadamente 250 são padrinhos de sangue, uma proporção ainda muito pequena, se comparada ao número de pessoas que necessitam periodicamente de transfusão. Os padrinhos de sangue comparecem ao Hemocentro somente quando são convocados, pois são doadores fixos para o paciente de quem são compatíveis. Eles precisam seguir a risca uma série de hábitos que garantam a qualidade do sangue ao seu afilhado. “Nosso trabalho não se restringe apenas a encontrar um doador, pois precisamos também conscientizar essa pessoa de que para participar do programa ela precisa ter uma vida muito regrada”, enfatiza Dr. Reda.

O doutor esclarece que o foco dos Padrinhos de Sangue não é atender a necessidade emergencial do Hemocentro, mas sim realizar uma função profilática, no sentido de prover sangue a esses doentes crônicos que precisam periodicamente de transfusões. “Apesar do projeto não atender toda a demanda, os benefícios que ele irá trazer poderão ser vistos a médio e longo prazo. Embora eu o tenha iniciando, outros deverão tomar o meu lugar e tocá-lo em frente, para o bem-estar da população de Guarapuava. É o que importa”, destaca.

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