Principal Categorias Matérias Em cada vestido uma história…

Em cada vestido uma história…

10 minutos para ler
0
682
Em cada vestido uma história...

Dom, esforço e sensibilidade na dose certa. Inúmeros adjetivos podem ser usados para descrever a relação de Terezinha Hauagge Zielinski com o ofício que aprendeu aos 14 anos e que a acompanha até hoje: a costura.

A habilidade para desenvolver trabalhos manuais aflorou ainda na infância, quando Terezinha passava horas vendo o trabalho de uma tia, que era florista. Embora a tia não a deixasse mexer com os equipamentos utilizados para a criação das flores artificiais e dos arranjos, a então menina ficava apenas observando para depois, escondida, colocar em prática o que havia conseguido absorver. “Só fiz um curso de florista no Senai, muito tempo depois. Comecei o curso atrasada e o professor achou que eu nem iria acompanhar. Ao final das aulas, tivemos que fazer três arranjos para receber o diploma. Todos se surpreenderam com os meus e acabei ganhando o prêmio de primeiro lugar”, relembra.

Dona Terezinha define seu trabalho como arte. Aliás, a arte sempre esteve presente em sua vida. Desde muito cedo ela cultivou a paixão pela música, e até aprendeu a tocar acordeon, sob a influência de seu pai. Ela também teve aulas de pintura em tela com a conhecida professora Iracema Trinco Ribeiro. As técnicas de tintura a óleo foram, e ainda são, muito úteis para que ela pudesse desenvolver seus próprios métodos de tingir tecidos.

Quando aprendeu a costurar, dona Terezinha passou a fazer vestidos para mãe, para irmã e para as vizinhas. Aliás, foi sua irmã, Ana Maria, que a incentivou a se dedicar a costura. “Um dia minha irmã disse que Deus havia me dado um talento e que um dia ele iria me cobrá-lo. Isso me impulsionou a trabalhar”, revela.

Assim, Terezinha procurou fazer vários cursos para que pudesse se aprimorar. A maioria deles durava longos períodos, entre dois ou três anos. Foi através dessas aulas que ela aprendeu uma série de macetes da costura de alfaiataria, como técnicas de plissagem e diversos tipos de bordados. “Os cursos me ensinaram muito, mas a experiência também. Todos os dias eu continuo aprendendo coisas novas”, afirma.

Profissionalmente, dona Terezinha costura há aproximadamente 30 anos. Ela já fez fantasias para escolas de samba do Rio de Janeiro, trajes utilizados em viagens dos descendentes de suábios do Distrito de Entre Rios em atividades culturais pela Europa e até fantasia para uma candidata à Miss Brasil. Sua especialidade são os trajes sociais para festas. Ela já perdeu as contas de quantos vestidos costurou para noivas, daminhas, madrinhas, debutantes e convidadas. “Para ser sincera, depois que entrego um vestido não lembro mais como ele era ou como eu o fiz. Por isso, assim como cada cliente, cada vestido é único”, comenta.

Durante o processo de criação, dona Terezinha procura se concentrar ao máximo naquilo que está no desenho, para que as ideias possam surgir. Além de ter parceria com alguns estilistas, a costureira também faz adaptações em modelos que tira de revistas especializadas ou que são trazidos por suas clientes. Um dos grandes cuidados que ela toma na hora de criar é com o corte que será dado à peça. “Os corpos são diferentes. Às vezes, o que fica bom em uma pessoa, não cai tão bem em outra. Por isso, converso bastante com as minhas clientes e analiso o que vai ficar melhor, para que elas saiam satisfeitas e bonitas”, diz. E a preocupação de dona Terezinha não é apenas com os trajes. Ela procura dar dicas de acessórios, sapatos e, até mesmo, de cabelos às suas clientes. A costureira também viaja e mantém contato constante com os fornecedores, para oferecer ao seu público alguns tipos de tecidos e materiais para bordados que às vezes não são encontrados por aqui.

Para dar conta da demanda, dona Terezinha tem em seu atelier a ajuda de três colaboradoras. Uma delas está ao seu lado há 13 anos. A costureira declara que muitas vezes deixa de pegar encomendas por falta de mão de obra. “Hoje está difícil encontrar mão de obra, porque você tem que contratar gente jovem, que esteja disposta a aprender, pois aqui tudo é feito à mão. Já formei muitos costureiros, que agora trabalham até em outras cidades”, explica.

O sucesso que o trabalho de dona Terezinha faz com a clientela de Guarapuava e região já lhe rendeu muitos prêmios. Em março deste ano, ela foi homenageada com o Prêmio Divas, promovido pelo Conselho da Mulher Executiva da ACIG em parceria com o jornal Diário de Guarapuava. Para ela, estar no mercado há tantos anos e ser reconhecida por sua atuação é motivo de satisfação. “Fiquei muito honrada em ser homenageada, primeiro porque sei que outras mulheres também eram merecedoras e depois por estar ao lado de mulheres que têm seus dons e méritos”, conclui.

Vida Familiar: Há cinco meses dona Terezinha ficou viúva do senhor Felix Zielinski, com quem foi casada por 49 anos. Desta relação de muito companheirismo nasceram cinco filhas: Eliane (in memoriam), Adriane, Luciane, Mariane e Juliane. Aos 70 anos e avó de três meninas, Carolina (22), Victória (10) e Isabela (9), dona Terezinha esbanja vitalidade e amor à vida. “Não tenho vergonha de dizer quantos anos tenho. Ao contrário. Minha filha Eliane se foi muito nova, por isso aos 70 anos vejo que só tenho motivos para agradecer, já que Deus me presenteia todos os dias com a vida. Quero continuar trabalhando e produzindo, pois isso vale muito a pena”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também

Coisas para fazer em Guarapuava

Fevereiro mal começou e ao contrário de janeiro, está voando! Apesar da semana ter sido rá…