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Murilo Walter Teixeira

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Murilo Walter Teixeira

Através da Casa Benjamin C. Teixeira e de atividades em instituições de Guarapuava, Murilo Walter Teixeira realiza um trabalho importante na preservação, pesquisa e divulgação da história da cidade

 
Por Scheyla Horst
Foto: Scheyla Horst

Murilo Walter Teixeira, aos 78 anos, fecha os olhos claros quando começa a contar fatos históricos de Guarapuava. Aos poucos, começa a sorrir e revela através dos gestos constantes com as mãos o quanto gosta de recordar. Relembrar dá trabalho: é preciso refazer percursos e trazer até os dias de hoje aquilo que já não é, embora permaneça colorido na lembrança. Nos últimos anos, a sua rotina é preenchida pela busca da preservação do patrimônio material e imaterial da cidade que ama. E ele faz isso com paixão e dedicação admiráveis.
Pelo menos duas vezes por ano, Murilo redige boletins divulgados pela Casa Benjamin C. Teixeira. Vários assuntos – como, por exemplo, o teatro e o cinema em Guarapuava; a imprensa; a Revolução Federalista; os prefeitos; os anos 1930 – estiveram em pauta nas 16 edições que foram pesquisadas, redigidas, editadas e impressas por ele mesmo. Atuar de maneira independente, com a parceria da esposa poeta Áurea Domingues da Luz, é algo que lhe apraz.

Casa Benjamin C. Teixeira
A Casa Benjamin C. Teixeira, situada na Rua Capitão Virmond, 1.888, se destina à preservação, pesquisa e divulgação da historiografia guarapuavana. A residência, construída em 1885, foi morada de quatro gerações da sua família.
O espaço museal é associado ao Ibram (Instituto Brasileiro de Museus) e, embora não fique aberto diariamente, pode ser visitado mediante agendamento. Murilo recebe com frequência estudantes e pesquisadores do município, da região e até mesmo de outros Estados. Com suas características paciência e atenção, explica cada um dos itens disponíveis para consulta.
Outra vertente de atividade é a exposição dos materiais em escolas, instituições, universidades, Semanas do Museu e eventos culturais. Através de impressão em painéis, Murilo apresenta os conteúdos e realiza palestras informativas para crianças, adolescentes, jovens e adultos.
Na casa, o patrono Benjamin C. Teixeira é homenageado com fotografias e depoimentos – e sua máquina de escrever Remington fica exposta para os visitantes. Além disso, é possível conferir amostras de jornais impressos antigos, livros, documentos e boletins a respeito de temas sobre as fases de desenvolvimento regional.
“Eu disponho de mais de 500 títulos sobre história de Guarapuava e do Paraná e cópia da documentação do arquivo histórico de São Paulo, onde estão os documentos originais sobre o município. Mantenho ainda exemplares de jornais que são utilizados por pesquisadores e, dessa maneira, promovo a valorização dos documentos, para que sejam guardados e apreciados”, afirmou.
Benjamin, pai de Murilo, faleceu em 1981 e deixou dezenas de publicações devidamente encadernadas. Durante a sua trajetória, exerceu várias atividades de destaque na vida social de Guarapuava. Foi redator de jornais, escritor, professor, secretário de clubes, poder público e partido político (PSD), pelo qual foi eleito vereador. Atuou ainda no poder judiciário e advogou por alguns anos. Era casado com Alvina Walter Teixeira.
“A casa é uma homenagem que eu fiz para o papai. Uma forma de levar adiante o trabalho dele. Preservamos a memória de uma época em que Guarapuava – uma cidade longínqua – tinha uma relevante efervescência em diversas áreas”, afirmou Murilo.

Atuação na sociedade
Desde a mocidade, Murilo acompanhava as atividades do pai e ajudava no que era possível. “Por algum tempo, eu corrigi a Folha d’Oeste”, contou, relembrando detalhes do processo de produção de um jornal, que era artesanal naquela época.
Na juventude, se mudou para Curitiba, onde cursou Odontologia na UFPR (Universidade Federal do Paraná). Durante esse período, sempre teve participação em centros acadêmicos, com cargos na área cultural. Quando voltou para Guarapuava, além de trabalhar como dentista (profissão que exerceu por três décadas), também lecionou Biologia no Colégio Carneiro Martins.
Depois da aposentadoria, Murilo direcionou os seus esforços com maior ênfase para a área cultural e histórica. Escreveu livros e crônicas inspiradas no cotidiano. É membro da Alac (Academia de Letras, Artes e Ciências) de Guarapuava e foi o primeiro presidente do IHG (Instituto Histórico de Guarapuava). Há vários anos faz parte do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural de Guarapuava.
“Com a nossa atuação, conseguimos algumas coisas importantes. No entanto, eu fiquei indignado por termos perdido o Museu Entomológico Hipólito Schneider. Eu me manifestei a respeito em várias em ocasiões, não conseguindo sensibilizar as pessoas ligadas à cultura local. Foi lamentável o acontecido. Guarapuava perdeu um trabalho significativo no campo museológico”, afirmou.
Com vários projetos em mente, o pesquisador segue dia após dia realizando um trabalho de grande importância, mas que parece invisível e ainda não é valorizado pela sociedade como deveria. A poeta Adélia Prado certa vez escreveu que “o que a memória ama fica eterno”. Murilo ama com a memória, imperecível.

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