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A tribo das “mulheres girafas”

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Por Gabriela Brustulin | Foto: Arquivo Pessoal

As viagens nos fazem repensar valores e prioridades na vida e me lembrei de uma cena marcante para mim. Quem me conhece sabe que desde pequena sou apaixonada pelo mundo, lembro que quando não tínhamos tantas informações e nem internet, passava horas imaginando como seria o mundo através das páginas da National Geographic.

Foi aí que conheci as famosas “mulheres girafas”, pelas quais sempre tive uma curiosidade enorme. Quando decidi ir para a Tailândia, entre os primeiros itens da lista estava visitar a tribo, famosa por acumular argolas pesadas ao redor do pescoço, antebraços e canelas.

Estivemos na Ásia no fim de 2016 e a passagem pela Tailândia e Camboja me fez refletir muito sobre a situação atual das mulheres. Era época de Loi Krathong, comemoração em que acendem velas e soltam lanternas para o céu fazendo pedidos, exatamente como no filme da Disney “Enrolados” – outro grande sonho realizado. Estávamos em Chiang Mai, província ao Norte de Bangkok, e íamos conhecer o White Temple (Chiang Rai), o Golden Triangle (divisa entre Myanmar, Laos e Tailândia) e a tão esperada visita à tribo Lonk Neck Karen.

Que grande choque de realidade! O que eu não esperava era passar por um conflito ético tão grande durante a visita ao povoado. Nem sempre tudo é tão bonito quanto mostram na internet e essa foi uma das situações mais conflitantes que passei nessa tão programada e sonhada  passagem pela vila chamada Long Neck Karen. Voltei com o “coração  na mão” e foi impossível não notar o olhar triste e vago dessas mulheres. Que história! Um costume bonito e polêmico, ao mesmo tempo.

O conflito com o local foi acontecendo à medida que íamos vendo os rostos delas e conhecendo toda a real história por trás daquelas lindas imagens da revista e da internet. Tratam-se de campos de refugiados vindos do Myanmar (antiga Birmânia), que resolveram abandonar seus lares depois de muito perseguidos por questões étnicas e agora vivem isoladas nessas vilas, sobrevivendo da venda de artesanatos e auxílio governamental tailandês. Apenas alguns homens têm permissão para sair, mas em áreas delimitadas pelo governo e possuem pouco ou nenhum acesso à escola. O Governo Tailandês, vendo o grande potencial turístico desse costume tão peculiar, “permitiu” a visita dos turistas, que pagam pela visita. Primeiro grande conflito: oportunidade ou exploração?

Ninguém sabe ao certo o motivo do uso das argolas. Existem histórias de que seria para proteger dos ataques de tigres e outras falam que seria para deixá-las mais belas. O fato é que a tradição secular se manteve e, a partir dos cinco anos de idade, as meninas podem começar a colocar as argolas no pescoço, que chegam a pesar até 10 quilos. No entanto, a principal razão pela qual as mulheres continuam até hoje alongando seus pescoços, braços e pernas é simples: a tradição! Segundo grande conflito: tradição ou necessidade, pelo fato de precisarem do dinheiro? A questão é que, caso decidam tirar as argolas, param de receber “ajuda de custo” do governo.

Se eu voltaria? Sim. Se eu indicaria a visita? Muito! O fato não é o que eu acho certo ou impactante em minha vida, o importante é que temos que respeitar a opinião e a situação alheia. Mostrar o interesse pela vida e pela cultura desse povo, que nos foi tão receptivo, os fez sentir honrados e felizes. Esse momento foi inesquecível, especial, enriquecedor e impactante. As viagens nos fazem crescer e os valores adquiridos por meio delas vão além dos escritos no papel, grandes e reais escolas fora de quatro paredes.

GABRIELA BRUSTULIN é uma apaixonada por viagens e proprietária da Meraki Intercâmbio e Viagem, que oferece programas de intercâmbio pela franquia TravelMate. Contato: (42) 99112-1303 e fanpage da Meraki.

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