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Aprendizes de olho no futuro

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Texto e fotos: Scheyla Horst/RVisual

Thiene e Berlize têm 18 anos. Uma é expansiva, outra é tímida. Ambas são aprendizes prestes a finalizar o curso e ansiosas com o futuro. Elas sabem que pensar desde cedo na capacitação e no desenvolvimento de habilidades é um diferencial que pode abrir portas. Por meio do Programa Aprendizagem, o Senac PR proporciona oportunidades para adolescentes e jovens entre 14 e 24 anos, ampliando os horizontes dos alunos e formando pessoas capacitadas para as demandas do mercado de trabalho, num ciclo de benefícios para todos os envolvidos.

Thiene e Berlize são aprendizes dedicadas | Foto: Scheyla Horst/RVisual

Desde 2003, quando o programa foi lançado em Guarapuava, foram concluídas 31 turmas. Isso significa que na última década cerca de 550 jovens receberam orientações e experimentaram na prática os conteúdos teóricos discutidos em sala de aula. Afinal, apreender contempla estudar e aplicar. Por isso, cada estudante precisa, além de estar matriculado no ensino médio, caso não tenha concluído, cumprir uma carga horária de 20 horas semanais, distribuídas entre módulos teóricos e atividades práticas nas empresas parceiras.

Assim que é contratado, o aprendiz tem a carteira de trabalho assinada e passa a receber salário mínimo hora referente à carga horária da prática profissional e das aulas teóricas. O curso é gratuito, tanto para o aluno quanto para as empresas contribuintes. Em Guarapuava, são oferecidas atualmente as seguintes formações: Aprendizagem Profissional Comercial em Serviços de Vendas e em Serviços de Supermercados.

Retrato das turmas que estão atualmente em atividade no Senac Guarapuava | Foto: Scheyla Horst/RVisual

A equipe ouve com frequência relatos de real mudança de caminho, como adolescentes que estavam a um passo da criminalidade, por exemplo, e reviram as suas trajetórias durante o ano de curso. “Eles entendem a responsabilidade do contrato de trabalho. A maioria assume o compromisso com entusiasmo. São baixíssimos os índices de desistência ou de desligamento”, contou a técnica de Educação Profissional e Tecnológica, Silvia Mara Mendes.

Apaixonada por seu trabalho, Silvia diz que o que a deixa mais feliz é encontrar ex-alunos trabalhando em empresas onde vai, como lojas, escritórios, bancos, mercados… “Muitos deles são efetivados assim que se formam. Outros, acabam encontrando vagas depois de pouco tempo”.

A egressa Sheila Matulle Pereira finalizou o curso na área de vendas em 2015. No fim daquele ano foi efetivada nas Casas Bahia, onde está trabalhando até agora. Atuando no cargo de Caixa e Analista de Crédito, ela percebeu a necessidade de cursar o ensino superior e desde o ano passado está matriculada em Administração. “É o meu primeiro emprego, mas vejo que posso crescer na empresa. A aprendizagem foi fundamental para que eu tivesse noção de muitas coisas que sem dúvidas vão contribuir para a minha carreira profissional”, afirmou.

Sheila foi efetivada na empresa em que atuou como aprendiz | Foto: Scheyla Horst/RVisual

A aprendiz Thiene Waleska Alves Rocha quer permanecer na empresa depois do fim do curso, e já foi convidada. Ela começou a cursar a faculdade de Engenharia de Produção no ano passado e vê possibilidades de aliar seus conhecimentos com as atividades que desenvolve no setor de logística, onde mais gostou de trabalhar. “Ter tido a chance de conhecer pessoas, aprender na prática e conquistar certa independência financeira, com tempo para estudar durante o primeiro emprego, foi maravilhoso”, disse a jovem, que tem os olhos curiosos.

A transformação na postura é o ponto destacado pela aprendiz Berlize Sturmer da Rosa. Ela percebeu que de nada adianta saber a teoria se não se tem a sensibilidade de lidar com as pessoas no dia a dia, tanto clientes quanto colegas de trabalho. “Ter circulado pelos diversos setores do supermercado, cada um com suas características, me proporcionou vários aprendizados que certamente me fizeram crescer”. Organização, disciplina, proatividade e amizade são palavras usadas por ela para descrever a experiência.

A instrutora Mércia Macedo da Silva atua como supervisora da prática profissional desde 2014. Isso quer dizer que, além de ministrar aulas na área da gestão aos alunos ela também visita as empresas, acompanha os aprendizes e recebe o feedback dos coordenadores. Essa ponte existe para facilitar a troca de informações, verificando a aplicação e constatando o que pode ser aperfeiçoado. “Os jovens são avaliados, pois é importante para o desenvolvimento deles. Eu fico feliz por ver que hoje em dia os empresários entendem que, mais que uma lei, a aprendizagem é uma possibilidade de recrutar talentos”, explicou.

Para a gerente executiva do Senac Guarapuava, Marta Gavanski Harmatiuka, o programa contribui pontualmente para o cumprimento da missão da instituição, que é educar para o trabalho. “Os alunos percebem que é importante aproveitar as chances, enquanto as empresas já não encaram mais como uma obrigação ter um aprendiz, mas como uma grande oportunidade de formar um colaborador que vai acrescentar qualidade ao negócio. E mais: o jovem vislumbra que a iniciação ao mundo do trabalho é uma porta para o seu futuro, que é promissor e repleto de possibilidades”, ressaltou.

Thiene, Berlize, Sheila e outros tantos jovens mostram que é fundamental gerar oportunidades e investir com qualidade no potencial daquelas pessoas que construirão o futuro do país. “Eu sabia que eu tinha capacidade, mas ouvir isso dos coordenadores do setor em que eu estou trabalhando me fez ter certeza de que eu não posso parar de acreditar em mim”, finalizou Thiene.

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