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WINTERSHOW 2019 aponta união entre tecnologia, inovação e experiência no campo

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Por: RVisual | Fotos: RVisual

Investir em inovação e na aplicação de tecnologia para a execução das atividades agrícolas, aliando tudo isso à indispensável experiência e conhecimento humanos (ainda que as discussões filosóficas não expliquem o que vem antes), parecem fazer parte da agenda cotidiana dos produtores do campo. No entanto, é um dos seus maiores desafios no mundo contemporâneo. E esse entendimento foi a tônica do 16º WinterShow 2019, (15 a 17 de outubro), promovido pela Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (Fapa), e pela Cooperativa Agrária Agroindustrial, em Guarapuava, no Centro-Sul do Paraná.

O WinterShow contribui para difusão de informações técnico-científicas aos produtores, agrônomos, pesquisadores, e estudantes, a respeito das principais culturas de inverno como trigo, aveia e cevada. Durante três dias foi desenvolvida uma programação intensa, indo de visitas e palestras, a dinâmicas de máquinas e balcão de negócios.

Dentro desse enfoque, o WinterShow dedicou atenção especial à relação entre o campo e o processo de modernização (que provoca transformações estruturais no cerne do espaço geográfico), frente ao emprego da tecnologia, e o compromisso com a sustentabilidade. Seguindo essa proposta, expositores apresentaram novas cultivares de trigo, cevada, materiais e máquinas adaptadas ao plantio das culturas de inverno, máquinas de pulverização que respeitam a sustentabilidade, e uma variedade de novos produtos registrados e recomendados para o cultivo dos cereais.

O evento inseriu neste ano atividades de descontração, como o Bremsvagen – Desafio de Tratores (que constituía em dirigir o trator por uma pista de 100 metros), e gastronomia, por meio do Suasse Ecke, ou Cantinho Doce, com as deliciosas tortas da culinária suábia como a Dobosch e Hilmmelstort.

Palestrantes renomados falaram para plateias ávidas por informações. Arthur Igreja, que entre outras coisas é professor da FGV, e palestra em mais de 120 eventos por ano no Brasil e outros países da América do Sul, nos Estados Unidos e Europa, abordou “A Inovação Disruptiva e o Futuro dos Negócios”. Igreja vê o termo inovação disruptiva como uma transgressão ao que se conhecia e se fazia na sociedade, e recorrentemente, no mundo corporativo.

As características da disrupção são ganho de mercado, evolução da tecnologia, velocidade não linear, e a transversalidade da tecnologia atacando os mercados que estão obsoletos. “No WinterShow focalizei a transformação digital de uma forma descomplicada. Sabemos que o produtor rural tem que estar antenado com o que está acontecendo, entretanto, há exageros. As pessoas estão ansiosas em meio ao mundo tecnológico e da inovação, mas precisam fazer no seu tempo, com equilíbrio, e colocar em prática sua experiência, pois o ser humano continuará sendo insubstituível no mercado”, ressalta.

E esse equilíbrio, segundo Igreja, o produtor encontra com seus parceiros dentro da propriedade, fornecedores, e principalmente, junto à cooperativa. “O papel da cooperativa é de conseguir proporcionar esse suporte ao grupo de produtores, ofertando eventos como o WinterShow, que permite essa troca de informações e experiências entre os produtores”, conclui.

TRIGO

O ano de 2019 vai chegando ao fim com perspectivas um pouco mais otimistas quanto à produção de trigo, principal cultura de inverno do país, tendo o Paraná como principal estado produtor. Antenada com o que ocorre nessa cultura em níveis globais, a Fapa e a Cooperativa Agrária, abriram o WinterShow enfocando o tema “Trigo: sua importância e seus desafios”.

Uma boa produção de trigo, item fundamental da cesta básica do brasileiro, tende a reduzir a necessidade de importação. O Brasil é um dos maiores importadores mundiais, que se abastece majoritariamente na Argentina. A cooperativa cumpre um papel fundamental de incentivar a produção de trigo na região, não apenas para obter matéria-prima de qualidade, mas também porque entende que o trigo proporciona, indiretamente, inúmeros benefícios às demais culturas que a sucedem.

Márcio Mourão, coordenador de pesquisa da Fapa e da Assistência Técnica da Cooperativa Agrária, explica que o trigo passa por desafios relativos aos estoques mundiais e importações, que em alguns momentos interferem no preço do produto no Brasil, “porém, com a tecnologia à disposição, com os níveis de produtividade dos materiais bem manejados técnica e agronomicamente, e sem perder o foco na gestão financeira da propriedade, vimos que é possível o produtor contabilizar uma receita fundamental”.

O agrônomo salienta que a diversificação nas propriedades, com a introdução de cultivares de inverno e verão, a rotação de culturas, o controle de pragas e doenças, e o uso de menor quantidade de defensivos químicos, concorre positivamente com a vertente da sustentabilidade, em um mercado cada vez mais rigoroso nesse quesito. “Hoje, atendemos empresas que sabem que a forma como manejamos e fazemos esse controle de sustentabilidade está nos mesmos moldes europeus”, garante.

PESQUISA

Durante o WinterShow, a Embrapa Trigo participou da programação técnica e demonstração de forragens no campo, quando apresentou o resultado de uma tese de doutorado*, que avaliou a eficiência técnica e os custos de produção de 65 lavouras de cooperados da Agrária, numa área 115 mil hectares em 14 municípios, durante três safras: 2013, 2014 e 2015.

Em resumo, a partir de dados de lavouras, o estudo da analista Vladirene Vieira considerou que “os principais fatores atribuídos aos melhores resultados na produção de trigo foram os ajustes no manejo, como adubação, população de plantas e uso de defensivos. Já, na avaliação econômica, indicou que os custos com fungicidas podem causar desequilíbrio nas contas”.

A pesquisa destaca que o conhecimento técnico pode garantir melhor retorno do que somente o investimento em insumos. “As lavouras que tiveram melhor desempenho podem ter feito escolhas de manejo que contribuem para reduzir custos, com melhorias no sistema de produção como controle de plantas daninhas ou aperfeiçoamento na qualidade do solo que permitiram altos rendimentos a menor custo”, aponta Vladirene Vieira.

* Pesquisa realizada no curso de Doutorado em Agronomia pela UFPR, pela analista da Embrapa Trigo, Vladirene Vieira.

CEVADA

A Fapa gera e aplica tecnologias que atendem à demanda de produtividade do cooperado, bem como à qualidade requerida pelas unidades de negócios e clientes. A fundação atua com base em duas linhas de pesquisa: a de desenvolvimento de novas variedades, e a de manejo e tecnologia. E foi em meio a todo esse trabalho que a instituição produziu a “Imperatriz”, uma nova variedade de cevada cervejeira, que é mais resistente às doenças.

A novidade foi criada após dez anos de pesquisas, e agora aguarda homologação para o plantio. Conforme os pesquisadores, a planta também é menos suscetível ao acamamento e tem porte ideal. Segundo a Fapa, a variedade apresenta produtividade significativa, acima de 6,9 mil kg por hectare.

O engenheiro agrônomo e pesquisador da Fapa, Noemir Antoniazzi, enfatiza que essa criação coroa ainda mais o sucesso do trabalho que vem sendo construído ao longo dos anos, pela instituição. Segundo ele, nos últimos anos, a Agrária obteve a evolução da qualidade e da produtividade da cevada, conforme registra a história: a primeira safra foi em 1973, quando

produzia-se uma tonelada por hectare, e nos anos ruins, meia tonelada, com uma qualidade que ficava aquém da atual. “Com o passar dos anos fomos evoluindo, e hoje, chegamos a uma produtividade média de 4,5 toneladas por hectare, aumentando em mais de quatro vezes o rendimento da cultura no campo. Em média, foram 60 quilos por hectare, por ano. Isso tudo graças à melhoria da genética e do manejo. É um ganho significativo em rendimento e qualidade nos tornando competitivos com qualquer malte importado”, declara.

Antoniazzi conta que a produção de cevada, da Agrária, está nas mãos de 160 grupos familiares, que compõem diferentes matrículas. “Temos cerca de 33.5 mil hectares de cevada de cooperados, mais 20 mil hectares oriundos da produtores não cooperados, somando perto de 54 mil hectares, em 2019. É pouco para atender a meta que é atingir 70% de malte nacional, e 30% de malte importado, mas estamos caminhando para um incremento anual de área de plantio, de produção, para alcançar esse objetivo”, acredita o pesquisador.

 

O MELHOR DE TODOS OS TEMPOS!

Recorde de estandes (cerca de 90 de empresas e instituições ligadas ao agronegócio e à inovação), e de público (quase 5.000 pessoas, o maior número de todas as 16 edições), entre produtores, agrônomos, pesquisadores, estudantes, e público em geral.

“Tivemos um dos melhores, senão o melhor WinterShow de todos os tempos.” Arnaldo Stock, Diretor Agrícola e Social da Cooperativa.

“Diante de tantas ferramentas de que dispomos, ficamos confusos sobre o que usar ou não. Então, o grande desafio é fazer um link entre a pesquisa e as tecnologias disponíveis, contemplando nossas demandas”. Jorge Karl, Diretor Presidente da Cooperativa Agrária, Jorge Karl.

“O WinterShow é um evento que mostra o que nossa pesquisa tem feito pelo cooperado, expondo a viabilidade da cevada e do trigo, matérias-primas das nossas principais indústrias, a maltaria e o moinho”. Manfred Majowski, Vice-Presidente da Agrária.

 

 

 

Fontes consultadas: Cooperativa Agrária http://www.agraria.com.br/ Companhia Nacional de Abastecimento (Conab): https://extra.globo.com/noticias/economia/conab-ve-aumento-na-safra-de-trigo-do-brasil-em-2019-preve-mais-milho-soja-23652379.html

G1.Globo.com: Pesquisadores desenvolvem variedade de cevada cervejeira mais resistente a doenças https://g1.globo.com/pr/parana/caminhos-do-campo/noticia/2019/10/20/pesquisadores-desenvolvem-variedade-de-cevada-cervejeira-mais-resistente-a-doencas.ghtml

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