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Novos conhecimentos na prevenção e tratamento do câncer

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Dr. Diogo Dequech Gavarrete

O câncer infelizmente afeta um grande número de pessoas, sabidamente repercutindo na saúde do paciente, abalando os familiares, gerando desgaste emocional e gastos financeiros altos. Felizmente a mortalidade pela doença tem caído significativamente, em grande parte atribuída a campanhas para diagnóstico precoce.

É importante salientar que exames difundidos pela mídia tais como: mamografia nas mulheres e exames de próstata nos homens, são exames de detecção precoce, ou seja, diagnosticam o câncer em fase inicial, não são exames que previnem o aparecimento de câncer.

A oncologia é uma das áreas da medicina em maior ascensão, não só pelo desenvolvimento de novas tecnologias em prol do diagnóstico e tratamento, mas também pela constate atuação na prevenção. Para entendermos como isso é possível, primeiro precisamos entender corretamente o que é o câncer.

Nosso material genético, transmitido por nossos pais, está presente no DNA de todas as células. As células crescem, se dividem e morrem , sendo isso chamado de ciclo celular. Muitas vezes , neste processo, nosso material genético passa por falhas que são corrigidas através de genes chamados Genes supressores tumorais, responsáveis pelo reparo ou morte de uma célula “doente”.

De maneira geral pode-se dizer que o câncer (do latim, caranguejo) origina-se de uma ou mais mutações (alterações no DNA) em células “doentes” capazes de fazer com que uma célula se prolifere de maneira desorganizada e independente.

Não é nenhuma novidade saber que tais mutações são induzidas por uma série de agentes externos tais como: fumo, bebidas alcoólicas, maus hábitos alimentares e até mesmo alguns vírus (por exemplo, subtipos de HPV e HIV).

No entanto, frequente sou questionado o porquê algumas pessoas desenvolvem tal doença sem nunca terem fumando ou nunca terem consumido bebidas alcoólicas, e até mesmo como justificar o fato de diversos indivíduos estarem em plena capacidade física após anos de uso abusivo de tais substâncias.

O fato é de que o câncer é uma doença que depende não apenas de agentes externos mas também de uma série de alterações genéticas em pessoas predisponíveis. Hoje sabe-se que até 10% dos cânceres são hereditários ( transmitidos por herança familiar).

Identificar tais pessoas e atuar de modo a prevenir o aparecimento da doença é a principal meta do que se chama Aconselhamento Genético.

Aconselhamento genético em oncologia é, portanto, o conjunto de ações pelo qual pacientes ou parentes em risco de um distúrbio genético herdado, são aconselhados das consequências e natureza de uma ou mais mutações , a probabilidade de transmití-los aos filhos e as opções existentes para o tratamento e prevenção.

Os principais fatores que levam os médicos a indicar um Aconselhamento Genético são a alta prevalência de casos de câncer na família ( pelo menos 2 casos) ou a aparecimento de um primeiro caso em uma pessoa sem fatores de risco e fora da faixa etária de incidência ( pessoas com menos de 40 anos). Tais medidas incluem sempre uma entrevista com familiares, mesmo os não afetados, realização de um heredograma ( árvore genealógica da família) , exame físico completo e uma série de exames complementares tais como: pesquisa de mutação de genes específicos no paciente , exames laboratórias , exames de imagens de possíveis sítios afetados e até colonoscopias na busca de um tumor que ainda não se manifestou.

Uma pergunta cabe nesse momento: para que saber que eu posso morrer de câncer no futuro? Seria melhor não saber, correto?

A verdade é que quando detectado o fator de risco, uma franca conversa entre o médico, paciente e seus familiares deve acontecer a fim de que medidas possam ser tomadas para o diagnóstico precoce ou até mesmo previnir o aparecimento de cânceres. Isto pode levar muitas vezes o oncologista a sugerir cirurgias preventivas como: a mastectomia ( retirada de mama) , a ooforectomia ( retirada de ovários) e até mesmo a colectomia ( retirada de parte do intestino) em pacientes às vezes na faixa etária de 20 anos.

Acredita-se que com tais medidas até 40% dos cânceres hereditários possam ser evitados, o que levou os planos de saúde a inteligentemente cobrir a pesquisa de tais mutações quando solicitado por um médico geneticista, esperamos em breve que isso se difunda também ao Sistema Único de Saúde.

Ainda não dispomos de cura para todos os tipos de cânceres .Porém o Aconselhamento Genético vem como uma importante ferramenta no cenário da medicina atual , ainda não acessível a toda a população devido elevados custos e falta de difusão entre os profissionais.

Acredito que com a atual tendência de personalização do tratamento oncológico e universalização da medicina em breve conheceremos muito mais sobre os mecanismo envolvidos em tal doença e poderemos utilizar as vias genéticas corretas para o adequado tratamento de cada paciente. Não há mais espaço para a generalização do tratamento, o que vemos pela frente é uma era de medicina individualizada.

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