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Artrose de quadril: um mal que não escolhe idade

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Artrose de quadril: um mal que não escolhe idade

Quando falamos em artrose muita gente acredita que se trata de uma doença que atinge apenas a parcela mais idosa da população. Contudo, ela é muito mais comum do que se imagina em pessoas jovens e ativas. Conversamos com o Doutor Christiano Saliba Uliana, que falou sobre alguns aspectos da artrose de quadril e sobre a evolução dos tratamentos para a doença.

Revista Visual: Hoje se discute a prevenção de artroses e doenças do quadril em pacientes adultos jovens e ativos. Qual a importância desta área da medicina?

Dr. Christiano: Tradicionalmente, a especialidade da Cirurgia do Quadril foi voltada para dois pólos principais: de um lado, as doenças do quadril da infância e da adolescência, e do outro lado, as doenças do quadril do paciente idoso, como as fraturas do colo do fêmur e a artrose. Até muito pouco tempo, e estamos falando de aproximadamente 10 anos, havia um grupo de doenças que acometem o quadril de adultos jovens (pessoas entre 20 e 60 anos) que era pouco estudado ou sequer conhecido. Para este grupo de pacientes, que são pessoas ativas, muitas vezes esportistas recreacionais ou profissionais, a especialidade não tinha muito a oferecer. Assim, nas últimas décadas surgiu o conceito da cirurgia preservadora do quadril, que tem o objetivo de tratar os adultos jovens buscando evitar que a articulação sofra no futuro um processo degenerativo chamado artrose. Foi exatamente este novo conceito de preservação da articulação que me despertou o interesse pela área.

RV: Mas o que é especificamente a artrose de quadril?

Dr. Christiano: O quadril é uma articulação de carga. Para se ter uma ideia, durante uma corrida, ele suporta uma força sete vezes maior do que o peso corporal. Para isso, os ossos do quadril são revestidos por cartilagem. Este tecido, que possui várias outras funções, atua como um amortecedor de carga. Ele permite também um baixo atrito entre o fêmur e a bacia, fazendo com que haja amplo movimento desta articulação. Quando por alguma razão esta cartilagem articular sofre algum dano, está instalado um processo de artrose.

RV: Quais são os principais sintomas da artrose de quadril?

Dr. Christiano: O sintoma mais comum é a dor. A dor da artrose tem caráter progressivo e situa-se geralmente na região anterior do quadril ou da coxa. Seu início é lento, mas evolui de forma gradual. É comum os pacientes relatarem que diminuíram o grau de atividade física progressivamente devido ao quadro de dor. A dor da artrose pode ser somente aos esforços, vir acompanhada dos movimentos, ou mesmo ao repouso. Nos casos mais avançados, ocorre diminuição do movimento do quadril. Pode haver dificuldade para se realizar atividades da vida diária, como calçar meias e sapatos.

RV: Existe uma causa para a artrose de quadril? A doença é mais comum em um grupo específico de indivíduos?

Dr. Christiano: Quando se consegue identificar uma causa para a artrose, como fraturas ou infecções prévias, ela é chamada artrose secundária. Se, por outro lado, não há uma doença préexistente que justifique o seu desenvolvimento, a artrose é chamada primária. Estudos mais recentes apontam que muitas artroses, antes consideradas primárias, têm uma causa identificável, que quando tratada podemos prevenir todo o processo de degeneração articular. Uma das doenças mais debatidas e estudadas nos dias atuais é o chamado impacto do quadril. Nesta condição, uma alteração na forma do fêmur ou da bacia pode causar lesão da cartilagem articular e no futuro, uma artrose. As artroses primárias acometem pacientes na faixa etária a partir dos 65 anos, já as artroses secundárias podem acometer pacientes tão jovens quanto 20 anos.

RV: Na sua opinião, quais as principais mudanças que ocorreram nos últimos 10 anos no tratamento da artrose?

Dr. Christiano: Houve muita evolução no tratamento. A fase inicial ainda é não cirúrgica, a qual envolve medidas como perda peso, uso de medicações analgésicas e anti-inflamatórias, utilização de algum tipo de apoio à marcha (muletas, bengalas), atividade física e fisioterapia, com fortalecimento muscular. Não há comprovação científica de que as medicações protetoras de cartilagem atuem de forma positiva na doença, apesar de alguns pacientes relatarem melhora dos sintomas após seu uso. Em relação aos exercícios terapêuticos, o foco está em alongamento e fortalecimento muscular e condicionamento aeróbico. Frente à falha deste tipo de tratamento, está indicado o tratamento cirúrgico. E foi nas formas cirúrgicas de tratamento que a especialidade mais evoluiu. Existem basicamente duas modalidades cirúrgicas para o tratamento da artrose do quadril: a cirurgia preservadora e a cirurgia reconstrutiva. Técnicas cirúrgicas preservadoras do quadril, como a videoartroscopia, hoje em dia permitem procedimentos menos invasivos e retorno precoce dos pacientes às suas atividades normais.

RV: Qual a diferença entre a cirurgia reconstrutiva e a cirurgia preservadora?

Dr. Christiano: A cirurgia reconstrutiva é a chamada artroplastia de quadril, procedimento no qual uma prótese de quadril é utilizada para substituir uma articulação já bastante comprometida. A cirurgia preservadora corrige defeitos ósseos ou de cartilagem, preservando a articulação do quadril, sem o uso de próteses. Este procedimento pode ser realizado através de artroscopia ou mesmo por via aberta. A nossa preferência é realizar este procedimento através de videoartroscopia.

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