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Padre João Rocha, propagando a Ternura e o Amor de Deus

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Ao chegarmos ao Santuário da Divina e Trina Ternura nos deparamos com um senhor grisalho, de fala firme, que há 48 anos decidiu abraçar a vocação do sacerdócio e dedicar sua vida a propagar o Evangelho. O Brasil entrou na vida do Padre em 1968. Atendendo a um pedido do Papa João XXIII, o jovem Giovanni Rocchia deixou os pais, os irmãos e sua Terra Natal, a Occitânia, nação que fica nos Alpes que dividem Itália e França, e cruzou o Oceano para levar a palavra de Deus a pessoas que moravam na periferia de Curitiba.

Dos 70 mil Padres que na época viviam na Itália, Padre João Rocha, nome que adotou aqui no Brasil, fez parte do primeiro grupo formado por sete sacerdotes que aceitaram a missão de criar raízes por aqui. Ele se recorda nitidamente do senhor que viajava ao seu lado, um engenheiro da Fiat, que vinha ao país a trabalho. Em certa altura da viagem o homem lhe questionou quanto o Vaticano lhe pagaria pelos serviços prestados no Brasil. O Padre resolveu interpelá-lo com outra pergunta: Você como engenheiro, ganhará quanto? O jovem lhe disse que além do salário, igual ao que lhe era pago na Itália, teria outro salário no Brasil e todas suas despesas custeadas pela empresa. Então, o Padre respondeu, deixando o homem estarrecido: “Sou um voluntário, não um mercenário. Trabalho para o Reino de Deus, e o Vaticano pagou a viagem e… o povo irá me providenciar o necessário para viver. Fazemos tudo pelo amor de Deus!”

Já na capital paranaense, onde estivera por mais de 20 anos, o Padre João Rocha conseguiu vivenciar aquilo que hoje é um pedido feito pelo Papa Francisco a todos os sacerdotes: o pastor deve ter o cheiro de suas ovelhas. Em Curitiba, o Padre realizou um trabalho de conciliação entre a periferia e o centro da cidade, visitando milhares de famílias, ouvindo o gemido do povo e acompanhando sua luta diária pela sobrevivência. Ao mesmo tempo, ele também presenciava a realidade de estudantes lutadores, enquanto lecionava História da Igreja no curso de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

Padre João Rocha sempre foi um grande estudioso e colocou no papel boa parte daquilo que aprendeu. Membro da Academia de Letras, Artes e Ciências de Guarapuava e da Academia Marial Nacional, com sede em Aparecida, ele já soma mais de 100 livros publicados, a maioria deles escritos na metodologia de Jesus, com parábolas, fábulas e fatos de vida diária, todos em livros que não passam de 100 páginas. E foi por meio da escrita que Deus colocou em seu caminho a Madre Constância Scarponi. Durante meio século a Madre insistiu com diversas pessoas da Igreja Católica sobre a necessidade de se criar um Santuário dedicado à Divina e Trina Ternura. Mas só em 1985, ao ler um artigo escrito por um missionário que trabalhava no Brasil, falando sobre Deus é Ternura, é que ela teve a inspiração de que aquele homem iniciaria a obra com que sonhara por toda a vida.

Assim, Madre Constância e Padre João, que ainda residia em Curitiba, começaram a trocar correspondências. A pedido de Dom Albano Cavallin, o Padre se transferiu para Guarapuava, onde há 22 anos deu início ao centro de evangelização e espiritualidade. E foi aqui, no centro do Paraná, que nasceu o primeiro e único Santuário do mundo dedicado a Divina e Trina Ternura. O Santuário fica às margens da BR-227, e é abrigado por um lugar de visão paradisíaca batizado como Morro da Divina Ternura. Quem se aproxima do portal de entrada do Santuário logo consegue ler o texto evangélico que é o carisma daquele lugar: Dele saía uma força que curava a todos (Lucas 6,19). O Padre explica que assim como tudo no Santuário, um local repleto de simbologia, a escolha desse versículo não é por acaso. “Vivemos em mundo de pessoas doentes, tomadas pelo consumismo. Essa insaciabilidade é o câncer da nossa sociedade. A Divina Ternura é o único remédio, pois todos os males, é a cura”, reflete o Padre.

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