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Não tão fácil como andar de bicicleta

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Não tão fácil como andar de bicicleta

Bicicross: um esporte que exige empenho dentro e fora das pistas

Para quem curte a velocidade, o vento batendo no rosto e a adrenalina dos esportes radicais, o Bicicross é uma das modalidades mais recomendadas. Criado nos Estados Unidos, no início da década de 1970, o esporte surgiu como uma opção para os adolescentes que sonhavam executar as manobras ousadas que assistiam nas competições de motocross. Em pouco tempo, o Bicicross se tornou uma febre entre os jovens de Nova York e da Califórnia e, no fim dos anos 70, chegou ao Brasil. A primeira pista da América do Sul para a prática da modalidade foi construída no Guarujá, litoral paulista, com equipamentos cedidos pela marca de bicicletas Monark. A empresa, aliás, criou a BMX, primeira bicicleta específica para a prática do esporte.

Em Guarapuava, o Bicicross começou a ser praticado em 1984, em uma antiga pista localizada no centro da cidade, na Praça Prefeito Eloy Pimentel, em frente à Prefeitura Municipal. Embora esteja presente em diversos cantos da cidade há 30 anos, somente nos últimos dez os atletas da modalidade conseguiram se organizar através da criação da Associação Guarapuavana de Bicicross – a AGB. Hoje, 35 pilotos, com idades entre 4 e 44 anos, tem feito bonito nas competições estaduais e nacionais em que levam o nome de Guarapuava. Presidente da AGB, Felipe Mexko Maciel, o popular Paçoca, conta que o Bicicross entrou em sua vida através do 56 irmão, Roberto Mexko Maciel, atleta da modalidade. “Competi pouco, mas descobri muito sobre o esporte ajudando meu irmão, vi as dificuldades que ele e os outros pilotos tinham e por isso resolvi me dedicar a essa parte de coordenação”, diz.

Paçoca revela que a maioria dos atletas que integram a equipe precisam conciliar a vida de esportistas com a carreira profissional. Assim, eles se dedicam aos treinamentos somente nos fins de tarde ou nos finais de semana. “Quase todos trabalham e o esporte acaba sendo um hobby. Quando vamos para competições em outras cidades sempre contamos com o apoio dos patrões, que liberam nossos atletas para as viagens”, afirma. Além dessa jornada dupla, os pilotos também se mobilizam para garantir que a manutenção da pista onde treinam, no Parque das Crianças, seja feita do jeito correto. Com a ajuda de máquinas cedidas pela SURG (Companhia de Serviços e Urbanização e Guarapuava), eles mesmos colocam a mão na massa e deixam o local da maneira ideal para a prática do esporte.

Outra função que é exercida tanto por Paçoca quanto pelos demais membros da equipe é a captação de patrocínios. A AGB conta com o apoio da Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Esportes e Recreação, mas o custo alto dos equipamentos e das competições faz com que eles precisem recorrer à sensibilidade dos empresários locais. “Estamos sempre buscando patrocinadores. O Bicicross não é um esporte barato, uma bicicleta para que os pilotos possam competir em um bom nível custa de R$ 1400 a R$ 4000”, enfatiza Paçoca.

Corridas e saltos em busca de conquistas

Apesar dos desafios e dificuldades para se manter no esporte, os pilotos da AGB têm se destacado nas competições que participam. Em março, 16 atletas da equipe estiveram na I Etapa do Campeonato Brasileiro de Bicicross. O bom desempenho dos pilotos fez com que o time terminasse a competição em primeiro lugar, feito inédito para o Bicicross paranaense.

Já no dia 11 de maio, foi a vez de Guarapuava ser sede da segunda etapa do campeonato nacional. E os pilotos da casa não decepcionaram. Dos 170 atletas que disputaram a competição, 28 representavam a AGB. Entre eles, cinco primeiros lugares: Alenilso Silva, na categoria Cruiser de 25 a 29 anos, Ana Paula Araújo, na Girls 9 anos, Kelvin Prestes, na categoria Boys 12 anos, Roberto Mexko Maciel, na Cruiser de 17 a 24 anos e André da Rosa, na Cruiser de 30 a 34 anos.

Os próximos passos da equipe já estão traçados. Paçoca e os atletas estão se mobilizando para a disputa da terceira etapa do Campeonato Brasileiro, que acontece em São Lucas do Rio Verde (MT), no mês de agosto. “Estamos tentado mandar nossos pilotos para competições maiores, para que eles possam pegar mais experiência”, explica. E a AGB sonha alto, a intenção é que alguns atletas da equipe disputem as seletivas para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.

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