Principal Categorias Matérias Atalaia Sociedade Esportiva e Recreativa: Meio século de existência e muitos desaos vencidos

Atalaia Sociedade Esportiva e Recreativa: Meio século de existência e muitos desaos vencidos

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Atalaia Sociedade Esportiva e Recreativa: Meio século de existência e muitos desaos vencidos

Historicamente está comprovado que os seres humanos precisaram formar sociedades para vencerem as adversidades do tempo, para sobreviver às suas intempéries. Nas sociedades estão arraigadas as formações morais e intelectuais. É o início de um ciclo que se prolongará durante toda a vida do indivíduo. Sociedades mostram a qual meio uma pessoa pertence, identifica-a. Através das relações sociais podemos distinguir (às vezes de longe) as principais características de um indivíduo, bem como, entender seu caráter, anseios e desejos. Pode-se dizer que as sociedades são feitas também de sonhos, pois através dos sonhos, o concreto toma forma, ganha espaço e se perpetua.

Fundada em 1962, a Atalaia Sociedade Esportiva e Recreativa de Guarapuava tinha por objetivo principal unir pessoas e fazer com que esta união se estendesse ao convívio familiar. O primeiro presidente da entidade foi o doutor Eurípio Rauen. De lá para cá, mais de meio século se passou e, como todas as sociedades, a Atalaia precisou se reinventar, se modernizar para que sua existência continuasse sólida, um verdadeiro marco para a cidade com potencial único de afirmação, de identificação.

Quem passa pela Rua Xavier da Silva, número 309, Bairro Trianon, não pode deixar de perceber a grande mudança que ocorreu no local nos últimos tempos. Onde há pouco tempo havia um espaço em madeira correndo o risco de desabar, hoje abriga uma das construções mais modernas da cidade capaz de encher de orgulho seus idealizadores e vizinhos. No entanto, a verdadeira beleza da obra está em seu interior com mais de dois mil metros quadrados de espaço destinados a modalidades esportivas e a eventos.

Nereu de Lima, presidente da Sociedade Esportiva Atalaia por quatro mandatos consecutivos, recebeu a reportagem da Revista Visual nas dependências do Clube e, com muita disposição e bom humor, mostrou o local, contou sua história e também falou dos desafios enfrentados para manter uma entidade destes moldes somente com a colaboração dos sócios através dos eventos e também com renda advinda da locação dos salões.

Contador profissional, Nereu mudou-se para Guarapuava no ano de 2000. Antes, ele morava em Palmas, no Paraná e precisou migrar para Guarapuava por causa do trabalho. Jogador de Bolão, ele encontrou na Sociedade Esportiva Atalaia um espaço para praticar seu esporte preferido. Associou-se ao clube e, pouco tempo depois, candidatou-se à presidência da entidade e foi eleito. Segundo ele, o maior desafio como presidente era não deixar o clube morrer. Devido ao prédio de madeira bastante danificado, melhorias no local se faziam necessárias. Caso contrário, o espaço que é uma cessão de direito com finalidade definida, corria o risco de ser devolvido ao poder público, ocorrendo assim, a extinção da Sociedade Atalaia. “Eu me associei ao clube logo depois que cheguei a Guarapuava. Depois fui eleito presidente da entidade. De imediato, precisávamos mudar muita coisa e reformar as pistas de bolão e as canchas de bocha. Mas para isso, era preciso mexer no prédio inteiro, pois uma parte dele, de tão danificado, ameaçava desabar. Não houve outro jeito senão pôr tudo abaixo e construir um clube novo”, relembra o presidente.

Com investimentos ultrapassando a um milhão de reais para a reestruturação do clube, o Nereu contou que de início se sentiu um pouco assustado com a soma, mas destacou que a ajuda financeira dos sócios foi de suma importância para que o projeto fosse adiante. “Se não fossem os sócios acreditar que a reconstrução do espaço era necessária, nada disso tinha acontecido. As parcerias com o comércio foram fundamentais para que a obra seguisse. Conversávamos antes de fazer as compras e pedíamos prazos para as lojas de materiais de construção. Muitos sócios emprestaram dinheiro ao clube e, com muito esforço, conseguimos levar adiante os trabalho e hoje podemos dizer que vencemos os desafios e o melhor, não foi preciso contrair empréstimos em bancos”, destacou Nereu.

Recentemente inaugurado, o salão de festas da entidade tem a capacidade de abrigar mais de 400 pessoas e pode ser alugado a terceiros para eventos. Por causa da tragédia que ocorreu na Boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, no início de 2013, as autoridades tornaram-se mais rígidas em se tratando de segurança em locais destinados à aglomeração de pessoas. Por isso, novas adaptações foram necessárias para a liberação do clube, principalmente na parte do salão de festas, segundo relatou Lima.

Várias saídas de emergência foram instaladas além de dois reservatórios de água de proporções gigantescas equipados com conjunto motobombas que podem ser usados a qualquer momento para conter incêndios. “As mudanças encareceram muito a construção do clube, mas eram necessárias e cumprimos todas as exigências feitas pelos órgãos de segurança. Digo a você que o clube é extremamente seguro e atende às normas impostas pelas autoridades”, lembrou Lima.

Com um time de bolão colocado entre os melhores do país, tendo conquistado o campeonato brasileiro em 2013 a Sociedade Esportiva Atalaia tem verdadeira uma coleção de prêmios conquistados ao longo dos anos. Como é um esporte ainda restrito aos clubes, há um projeto, em parceria com a Secretaria de Esportes da Prefeitura de Guarapuava para que adolescentes, jovens e pessoas da comunidade comecem a treinar a modalidade. A ideia, segundo o presidente, tem o objetivo de sociabilizar as pessoas e fazer com que encontrem no esporte um caminho correto a ser seguido. “Para treinar, a pessoa não precisa ser sócia. Basta ter boa vontade. Teremos um instrutor que passará os ensinamentos e nosso maior interesse é inserir as pessoas na sociedade através do esporte”, explicou.

E assim, se passou meio século e a Sociedade Esportiva Atalaia continua inovando, se modernizando e acompanhando a evolução dos tempos, sem, é claro, perder de vista o princípio básico para a qual foi criada: unir pessoas através do convívio e da amizade.

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