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Muita tecnologia e pouca sabedoria

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O problema da tecnologia não é ela em si mesma, mas o uso que fazemos dela. E desta forma, se for demais, atrapalha, sim

A pergunta continua sendo se computador demais atrapalha. Tecnologia demais, atrapalha? E continuamos sem respostas. Primeiro temos que saber o que perguntar: atrapalha a aprendizagem, a educação, a saúde, os relacionamentos? Tudo o que é demais atrapalha e por isso diz o sábio que menos é mais, sempre.

Ainda não temos estudos suficientes que apontem os danos ou benefícios do uso prolongado das tecnologias na vida das pessoas, mais precisamente das crianças e jovens, porque os adultos, vamos lá, nós temos mais o que fazer. Será?

A onda tecnológica está inundando tudo e todos, isso é real. Vemos nossos amigos trocando e-mails, ID, mandando recados e fotos pelo Facebook e Instagram e ninguém quer ficar de fora. Tablets, iPhones, smartphones, todo mundo plugado com seus amigos, com os amigos dos outros, com amigos que não são amigos, com gente que nem conhecem.

“As tecnologias são benéficas quando elas ajudam a encontrar um amigo e restabelecer laços no mundo físico”

Ouvi uma amiga dizer que ela tinham se conectado com várias personalidades e estava realmente “se achando”. Mas será que ela conhece essa gente toda? Ou apenas vive pelas beiradas de seus novos “amigos”, curtindo suas fotos bacanas de desfiles, shows, festas badaladas, carrões e suas mansões com a piscina fervendo de outros amigos, mais colunáveis? Curtindo adoidada as fotos o dia todo, sem perder um nadinha do que a top acaba de postar, lá de Nova Iorque? Fala da Quinta Avenida como se lá tivesse passado o Natal, ou das luzes maravilhosas do Ano Novo em Paris?!

E, de repente, se lembra que deixou de mandar um abraço para seu vizinho, um olá para seu porteiro, que todo dia abre a porta do elevador…

O problema da tecnologia não é ela em si mesma, mas o uso que fazemos dela. E desta forma, se for demais, atrapalha, sim.

Deixar de viver uma vida real, de onde tiramos tantas lições a cada momento, onde sorrimos, sofremos, conversamos, brigamos, cansamos, isso não tem preço, não tem “avatar” que viva por você. Refugiar-se num falso perfil, seja lá para qual finalidade, não tem graça nenhuma, é alimentar as psicoses e neuroses, jogando as possibilidades de interação no lixo em que está conectado.

As tecnologias são benéficas quando elas ajudam a encontrar um amigo e restabelecer laços no mundo físico. Ao pesquisar uma palavra e descobrir que ela tem outros significados. Ao procurar um mapa e achar um lugarzinho perdido e intacto para visitar. É saber o que vai passar no cinema, quantas estrelas tem aquele hotel que você quer conhecer, se o chef do restaurante continua com suas estrelas no Michelin (ou nem tem nenhuma). A tecnologia pretende facilitar a nossa vida para que a gente consiga trabalhar menos e usufruir mais das coisas materiais, de saberes, de sabores, de livros de papel (olhe a que ponto chegamos, livros antes só podiam ser de papel!), de passeios ao ar livre.

Tudo o que é demais cansa, enjoa, vicia, adoece, envelhece e morre. Use na medida certa. Se persistirem os sintomas, procure um médico.

*Arte-educadora e jornalista Mestranda da Faculdade de Educação – Unicamp Presidente do Canal 8 – NET Campinas Pesquisadora do Laboratório de Inovação Tecnológica na Educação – Lantec – Unicamp Tutora do curso de Especialização da USP – Ética, Valores e Cidadania na Escola

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