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Apaixonado por farmácia

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Apaixonado por farmácia

Depois de quase seis décadas de atenção aos guarapuavanos, Walmur encerra suas atividades em farmácia para se dedicar a outros projetos pessoais

Com sua característica voz rouca e em tom baixo, Walmur Loures Siqueira, aos 67 anos de idade, cita uma frase conhecida no meio cristão e que revela muito a respeito da sua trajetória: “A maior tragédia da vida não é a morte, mas sim viver sem propósito ou com prioridades erradas”. Ele tem convicção de que encontrou a finalidade da sua existência. Não apenas descobriu o sentido de estar vivo, mas também o colocou em prática durante as últimas seis décadas: conversar educadamente com as pessoas e buscar o alívio das suas dores físicas e emocionais.

Walmur começou a trabalhar em farmácia quando era um menino de 10 anos de idade e foi levado por seu pai para aprender uma profissão na Trajano. Dia após dia se aprofundou um pouco mais no que considera ser o seu dom. Numa época em que a estrutura de saúde do município era precária, ele se desdobrou para ajudar as pessoas com o conhecimento que tinha. “Nunca ultrapassei os meus limites. Fazia apenas aquilo que eu sabia que conseguiria realizar, com muita motivação e alegria”, contou, relembrando fatos complicados da c a r r e i r a , e m o c a s i õ e s e m q u e a s f a r m á c i a s desempenhavam as funções de ambulatórios, lotadas de pacientes.

Fazer o melhor

O sonho de adolescência era cursar Medicina. Todavia, diante das dificuldades financeiras e de acesso ao ensino superior, ele não conseguiu concretizar o desejo. Percebendo que tinha todas as aptidões para a área da saúde, decidiu então que seria o melhor atendente de farmácia das redondezas, fazendo da atividade profissional um verdadeiro sacerdócio. E assim o fez, até o mês de setembro de 2014, quando se aposentou. Agora, planeja o desenvolvimento de projetos pessoais relacionados a outras atividades – como a produção de um livro sobre a história das farmácias de Guarapuava – e também anseia pelo investimento de mais tempo para a família. “Bastante gente já ficou sabendo que me aposentei, mas agora recebo muitas mensagens com dúvidas pelo Facebook”, revelou.

Lembranças

Em 1988, Walmur se aventurou na carreira política, sendo eleito vereador. Dois anos depois, renunciou o mandato por considerar que não tinha o perfil para o cargo. “Nunca concordei com ‘jogos’ políticos. Para mim, a política precisa melhorar a vida da população por meio de ações concretas”, afirmou. Durante o período, ele doou 50% dos seus rendimentos para entidades que desenvolviam projetos sociais, como Rotary Club e SOS (Serviços e Obras Sociais).

Foi nessa época também, segundo ele, que ocorreu a revolução da saúde na cidade. “A criação dos CIAs (Centros Integrados de Atendimento) pelo prefeito Fernando Ribas Carli foi inovadora no país e diminuiu expressivamente o número de mortes de crianças por doenças como gastroenterite e pneumonia. Lá, o cenário começou a mudar, e agora continua melhorando”, disse.

Reconhecimento

Para que a satisfação pessoal com a profissão também fosse compartilhada, Walmur sempre contou com o apoio irrestrito da amada esposa, Sonia Maria Bach, e da filha Leslie, que lhe deram suporte com compreensão. “Por muito tempo eu abria a farmácia às 7h e fechava às 23h. Mas sempre tive respeito e incentivo em casa”, relatou, citando ainda os plantões que realizava de madrugada e aos finais de semana. “Só tirei férias de 30 dias uma vez ao longo de todos esses anos”, acrescentou. Em 2015, porém, Walmur e Sonia se mudarão para Curitiba, onde curtirão a companhia dos netos Matheus, 12 anos, e Nathan, 10.

Tanta dedicação foi agora reconhecida pela Câmara de Vereadores. O vereador e médico Rodrigo Crema propôs a concessão do título de Cidadão Benemérito a Walmur Loures Siqueira, projeto que foi aprovado pelos demais vereadores. A cerimônia de entrega da honraria ocorreu no dia 12 de dezembro, quando também foi realizado um jantar especial com a presença de várias pessoas que fizeram e continuam fazendo parte dessa bela história. “Eu fiquei lisonjeado pela indicação do Dr. Rodrigo, que me mostra que tudo o que fiz valeu a pena. Sempre acreditei que são válidas as homenagens realizadas em vida, quando o homenageado pode desfrutar do momento”, opinou Walmur, que certamente ainda terá muito tempo para colher os frutos que plantou com tanto zelo.

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