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Cirurgia micrográfica de Mohs: mais uma arma no tratamento do câncer de pele

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Cirurgia micrográfica de Mohs: mais uma arma no tratamento do câncer de pele

Por:

Dra. Beatriz Gomes Bianco Cabrera Garcia (CRM 19430/RQE 11942)

Dra. Caroline Barbosa Batista (CRM 33035/RQE 17978)

Dr. Guilherme Augusto Gadens (CRM 22842/RQE 16136)

Dra. Iara Rodrigues Vieira (CRM 7262/RQE 597)

Dra. Renata Franco Carrara Tavares (CRM 19692/RQE 13155)

 

Foto: Ilustrativa

 

 

Poucos sabem, mas o câncer de pele é o câncer mais comum de todos no Brasil e no mundo. Segundo as estimativas do Inca (Instituto Nacional de Câncer), em 2014, o número de casos de câncer de pele deve corresponder a cerca de um terço de todos os casos de câncer no Brasil. Um levantamento realizado recentemente (fonte: American Cancer Society) revelou que, nos EUA, são diagnosticados a cada ano mais casos de câncer de pele do que a soma de todos os casos de câncer de mama, próstata, pulmão e cólon (intestino) juntos.

A boa notícia é que a grande maioria dos casos, desde que diagnosticados precocemente, podem ser tratados efetivamente com cirurgia. Dentre os tratamentos cirúrgicos, vem ganhando cada vez mais espaço a cirurgia micrográfica de Mohs. Muito difundida em alguns países (em especial nos EUA), o grande diferencial desta técnica está no fato dela permitir a avaliação microscópica das margens do tumor ainda durante a cirurgia.

 

Como funciona?

A cirurgia começa com a remoção da pele aparentemente acometida pelo tumor, com margens mínimas (1-2 milímetros), e é realizada avaliação imediata para se determinar se o câncer foi ou não completamente retirado. Caso a lesão não tenha sido eliminada, são removidos fragmentos adicionais de pele (somente nas áreas acometidas) até a completa resolução do tumor. Assim, a cirurgia de Mohs evita, ao máximo, a remoção desnecessária de pele sadia ao redor do tumor, proporcionando melhores resultados estéticos. Após a obtenção de margens livres de câncer, é realizada a reconstrução do defeito criado de acordo com cada caso. Na maioria das vezes, a cirurgia é realizada sob anestesia local.

Por permitir a avaliação de 100% das margens do câncer removido, esta técnica apresenta altas taxas de cura. Por exemplo, no carcinoma basocelular (tipo de câncer mais frequentemente encontrado) as chances de cura com a cirurgia micrográfica são de 99%.

 

Vantagens e desvantagens

As principais vantagens da Cirurgia de Mohs são:

– Maiores taxas de cura;

– Resultado imediato (a erradicação do tumor é obtida, com certeza, no dia da cirurgia);

– Melhores resultados estéticos/cicatrizes menores.

Por outro lado, ela também apresenta desvantagens:

– Cirurgia tecnicamente mais trabalhosa e demorada (pode durar várias horas em alguns casos);

– Poucos centros no Brasil disponibilizam a cirurgia;

– Custos mais elevados.

 

Indicaçõe

A grande maioria dos casos de câncer de pele, certamente, também podem ser resolvidos com a cirurgia convencional/tradicional (na qual o câncer é removido com margens de segurança maiores, visto que avaliação microscópica terá seu resultado apenas alguns dias após a cirurgia). Desta forma, principalmente em virtude das desvantagens citadas anteriormente, a cirurgia de Mohs é indicada com maior frequência nos seguintes casos:

 – Tumores localizados em áreas com necessidade de máxima preservação tecidual (áreas com pouca “sobra de pele”). Exemplos: nariz, pálpebras, orelhas, lábios, etc.;

– Tumores com má delimitação clínica das bordas (difícil definir “a olho nu” onde começa e onde termina a lesão);

– Tumores mais agressivos ou localizados em áreas de risco;

– Tumores recidivados (que retornaram após terem sido tratados anteriormente) ou incompletamente removidos.

 

Perspectivas

A cirurgia de Mohs é considerada padrão ouro (ou seja, tipo de tratamento mais eficaz) para a maioria dos tipos de câncer de pele (exceto melanoma). Ainda pouco conhecida no Brasil, foi registrado nos EUA nos últimos anos um aumento de mais de 400% no número de cirugias de Mohs realizadas. A expectativa é que, com o aumento de centros capacitados para realizar tal técnica em nosso país, ela se torne mais disponível também por aqui.

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