Principal Categorias Matérias Uma vida emoldurada

Uma vida emoldurada

8 minutos para ler
0
578
Uma vida emoldurada

Apaixonada por molduras, Ines Bremm encontra satisfação na combinação de peças e busca exemplares que aliam beleza e qualidade. Ela é uma mulher idealista e amorosa que tem orgulho da sua família

Por Revista Visual

Foto: Edno Pilonetto

Ines Margarida Bremm de Oliveira, de 71 anos, é comunicativa, bem humorada, sincera e com temperamento forte. Ao mesmo tempo, é dona de um coração maior do que ela e não consegue guardar rancor das pessoas. De descendência alemã, nasceu no Rio Grande do Sul, em Santo Cristo. Veio ao Paraná na década de 1950, para a região Norte. Um tempo depois de se casar com Milton Pinto Oliveira, eles se estabeleceram em Guarapuava em 1968, exatamente no dia em que houve uma grande tempestade de gelo. Naquela época, confeccionavam capelinhas e cerâmicas, trilhando os primeiros passos de um sonho.

Nesse começo, Ines se dividia entre a administração de um pequeno hotel, ajudando até mesmo na cozinha; e a confecção de estátuas de gesso, as quais ela pintava minuciosamente, uma a uma. Ao mesmo tempo, cuidava para que nada faltasse aos filhos, enquanto o marido viajava para vender os produtos. Assim, Ines se desdobrava para dar conta de todas as atividades com eficiência, sendo a chefe da casa e uma administradora admirável.

Em 1971, iniciaram a venda de molduras, com a criação da primeira loja do ramo em Guarapuava. “Começamos fazendo molduras em grande escala, como quadros para colégios”, recordou-se. Pouco a pouco, o empreendimento foi crescendo e expandindo seu alcance para a área de vidros. Hoje, a família administra a Mary Art Vidros e Cristais de Segurança, a Mary Art Molduras e a Glax Vidros, sendo que cada empresa tem uma vertente de atuação e de abrangência – desde o consumidor final até o abastecimento de vidraçarias da região Sul.

Ines é mãe de cinco filhos e avó de seis netos. Três dos filhos seguiram no empreendimento familiar: Rosemari, Sidnei e Claudio. Marcos Antônio é médico e Rosana é educadora física. “Estou contente porque um dos meus netos (Lucas) já está se envolvendo com vidros laminados. Assim, eu sinto que a nossa história terá continuidade”, disse.

Molduras

A paixão de Ines, entretanto, é a parte de molduras. Ela continua acompanhando essa área e sempre busca novidades para os clientes. “Eu gosto de combinar molduras e dar sugestões para consumidores e arquitetos. Vendemos apenas produtos de qualidade alta, tipo exportação, o que é garantia de longa durabilidade. Elas embelezam as casas e fazem toda a diferença na decoração”, afirmou, contando que possui mais de 400 modelos.

“Meus filhos querem que eu pare de trabalhar e utilize o meu tempo para descansar e passear, mas eu não quero interromper o meu contato com as molduras. É algo que me dá prazer e satisfação!”, ressaltou. Na opinião dela, é difícil encontrar guarapuavanos que não tenham em casa quadros adquiridos com ela. “Imagina o quanto não vendemos desde os anos 1970?”, questionou.

Família

Ines se orgulha da união familiar. Mesmo quando há brigas e desentendimentos, depois dos conflitos a força se renova e todos se ajudam. No final do ano, a família sempre realiza a Novena de Natal, com reuniões nas casas dos filhos para refletir sobre os desafios e pedir proteção e realizações. Ines é católica praticante e participa há décadas de atividades filantrópicas da Paróquia Santa Terezinha. “Gosto de ajudar os outros”.

Presenciar momentos importantes da sua trajetória é algo que a emociona. Há três anos, ela e o marido Milton comemoraram com uma bela festa as Bodas de Ouro. “Manter o casamento por tanto tempo revela persistência, dedicação e tolerância. Considero importante dar esse exemplo para meus filhos e netos”, ressaltou.

Atualmente, ela preenche a sua rotina com trabalho e viagens. “Eu adoro viajar, sou realmente apaixonada por isso. Vou bastante para a chácara da nossa família e para a praia, são os lugares que considero refúgios. Até estou pensando em montar um atelier de molduras na chácara”, contou.

A mulher se sentiu acolhida por Guarapuava e confessa que ama a cidade e não pretende ir embora. “A adaptação foi complicada naquela época em que chegamos aqui, em virtude da infraestrutura do município, mas logo comecei a me sentir em casa. Acho o clima agradável e conheci pessoas solidárias”.

Com uma vida emoldurada em valores fundamentais e muito trabalho, Ines não pensa em parar tão cedo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também

Coisas para fazer em Guarapuava

Fevereiro mal começou e ao contrário de janeiro, está voando! Apesar da semana ter sido rá…