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Padre Ari Marcos Bona: Cidadão honorário de Guarapuava

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Padre Ari Marcos Bona: Cidadão honorário de Guarapuava

Por Revista Visual
Foto: Prisma Eventos & Produções

 

No final do ano passado, a Câmara de Guarapuava realizou cerimônia de entrega de títulos honoríficos para pessoas de destaque da sociedade. Entre os contemplados com o título de Cidadão Honorário estava o Padre Ari Marcos Bona, natural de Porto União (SC). Em conversa com a Revista Visual Guarapuava, ele fala a respeito de projetos desenvolvidos e sobre o reconhecimento recebido na Casa de Leis. Para ele, foi uma surpresa saber da homenagem. Entretanto, ele ressalta que o seu trabalho não objetiva tais reconhecimentos, embora receber o título sirva como estímulo e encorajamento para a realização da sua missão.

“Nossa vida é um Dom do Criador e como tal, o sentido é fazer dela um dom a serviço de um mundo melhor. Sempre comento em minhas reflexões que, independente da religião que a pessoa professe ou igreja à qual pertença, serve e agrada a Deus, quem procura colaborar com Ele na construção de uma sociedade mais justa, digna, igualitária, solidária, humanizada, fraterna, com oportunidades para o maior número possível de pessoas. Esta tem sido e continuará sendo minha motivação para o trabalho que desenvolvo”, afirmou. Confira o restante da entrevista:

 

Qual é a sua relação com Guarapuava? O que a cidade representa na sua história?

Há mais de sete anos estou morando novamente em Guarapuava, no bairro Sant’Ana. Gosto muito da cidade e boa parte de minha família mora aqui. Sempre procurei conhecer e me adequar à realidade dos locais onde fui designado para trabalhar. Aqui foi muito fácil porque já conhecia muitas lideranças da cidade pelo período que morei com Dom Giovanni e coordenei a Pastoral da Diocese.

Hoje a Matriz Sant’Ana é frequentada por pessoas de todos os bairros da cidade e isso me realiza pessoalmente porque é uma espécie de “feedback” do trabalho realizado. Isso indica que estamos no rumo certo. Tenho consciência de que muita coisa poderia ser melhor, mas é o que temos e podemos para o momento. Nunca me canso de agradecer a colaboração dos leigos das Pastorais, Movimentos e voluntários dos projetos sociais. Se não fossem as pessoas de boa vontade, nada seria possível. Nenhum líder tem êxito sozinho. Assim sendo, Guarapuava representa na minha história uma oportunidade de amadurecimento, ampliação de horizontes, muito aprendizado no relacionamento com pessoas de todos os níveis sociais, profissionais e culturais.

 

Quais são os projetos de destaque em desenvolvimento na Paróquia Sant’Ana? Qual é o papel da Igreja no enfrentamento às mazelas sociais do nosso tempo?

Entendo que a Igreja fundada por Jesus Cristo deve seguir seu legado: “Eu vim para que todos tenham vida em plenitude” (João 10,10). Vida plena não significa apenas o aspecto doutrinal ou religioso. Deve abranger tudo o que se refere à dignidade da pessoa. É por isso que temos nos preocupado na paróquia Sant’Ana em desenvolver projetos não  apenas assistenciais mas sobretudo de promoção da dignidade humana. Cito alguns:

– Cursinho pré-vestibular que em quatro edições atingiu mais de 350 pessoas, facilitando a mais de 30% destas, o acesso à universidade;

– Curso para garçons que em seis edições colocou no mercado de trabalho muitas pessoas;

– Curso para domésticas que também colocou no mercado de trabalho mais de 30 mulheres;

– Curso de panificação, doces e salgados que há mais de cinco anos ensina e gera renda para pessoas carentes;

– Sala da escuta com atendimento gratuito de psicólogas, pedagogas, advogados, orientação financeira, amparo a famílias de dependentes químicos, acompanhamento de casais;

– Projeto Bom Samaritano, onde profissionais e técnicos das diversas áreas encaminham e resolvem situações de pessoas carentes;

– Projetos voltados à atividade física de idosos, adultos, jovens e crianças, pilates, capoeira, Skate, muai-thay, matinê para terceira idade, e outros;

– Sala de informática para inclusão digital de pessoas sem acesso ao computador e à rede;

Além, é claro, de toda atividade de evangelização através de celebrações, catequese, encontros de formação e outros.

 

Em tempos onde vemos valores serem esvaziados e pessoas cada vez mais individualistas, gostaríamos que o senhor nos falasse a respeito dos valores fundamentais para que as pessoas consigam dar sentido às suas vidas.

Infelizmente a individualização é a grande doença moderna que traz consigo muitas consequências como isolamento, indiferença, insensibilidade e tantos outros.  Para que não percamos o sentido da vida em meio a tantos apelos cada vez mais convincentes, precisamos nos voltar à nossa essência. Não perder a noção de que esta vida é muito breve, passageira e que passaremos por ela sem levar nada do que temos, apenas o que somos, e que as pessoas com as quais convivemos, não nos pertencem e, portanto, não ficarão pra sempre conosco nem tampouco ficaremos para sempre com elas, por isso precisamos aprender cada vez mais a usar as coisas e amar as pessoas e não o contrário. Precisamos aprender a valorizar e amar as coisas e pessoas que temos antes que a vida nos ensine a amar e lamentar o que perdemos.

Nos meus quase 24 anos de sacerdócio já presenciei muitas pessoas desesperadas e arrependidas pelo rumo que deram à sua vida e às suas relações, e infelizmente sabemos que não podemos voltar atrás no tempo e na maioria das escolhas ou atitudes tomadas, por isso precisamos refletir mais e agir sempre com muita consciência e responsabilidade.

Não poderia deixar de lado um apelo à religiosidade. Religião vem do termo latim “religare”. Por vezes nos mantemos tão ligados à matéria que terá seu final e deixamos de lado a dimensão transcendente e eterna de nossa existência que é o Espírito. Busquemos Deus, nos deixemos guiar pelas inspirações de seu Espírito, e quando nos faltar a vida do corpo, nos uniremos àquele que buscamos em espírito.

 

 

Perfil do Padre Ari Marcos Bona

  • Nasci aos 15 de dezembro de 1967 em Porto União – SC, Filho de Aurélio Bona e Noêmia Schwarzer Bona. Sou o 5º filho de uma família de 7 irmãos.
  • Fiz meus estudos primários na Cidade de Cantagalo;
  • Formado no curso técnico como “Profissional pleno em contabilidade” em Centenário do Sul e Londrina;
  • Formado em Filosofia pelas faculdades de Ponta Grossa e Toledo;
  • Formado em Teologia na PUC do Paraná;
  • Ordenado Sacerdote aos 14 dias do mês de Dezembro de 1991;
  • Atuei como vigário Paroquial em Pitanga por 3 anos e meio;
  • Coordenei a Pastoral da Diocese de Guarapuava por 3 anos e 2 meses;
  • Atuei como Pároco em Pinhão por 9 anos e meio;
  • Assumi como Pároco na Paróquia Sant’Ana dia 04/02/2008.

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