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Participar sem medo de ser mulher

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Participar sem medo de ser mulher

Por Caroline Oliveira
Foto: Arquivo Pessoal

Nerci Aparecida Guiné é uma mulher à frente de seu tempo, que sempre carregou consigo muitos sonhos e projetos grandiosos que aos poucos foram se concretizando com muita luta e fé. Natural de Guarapuava, aos 62 anos ela ocupa uma cadeira no poder legislativo municipal, conquistada nas últimas eleições. Nerci é uma das duas mulheres vereadoras dentre uma maioria de homens que foram eleitos.

Trajetória e carreira
Desde sua infância, Nerci já demostrava ser sociável, receptiva e preocupada com o bem estar das outras pessoas ao seu redor. Aos três anos, já começou a frequentar a escola junto com seus irmãos, e ainda lembra-se da sua primeira professora. “Foi a senhora Noêmia Hauagge, a tia Même, e dizia ela que eu gostava muito de ficar segurando na sua mão e sempre dizendo que quando eu crescesse seria professora”, relembra com carinho. Nerci estudou desde as séries iniciais até o magistério no Colégio Nossa Senhora de Belém, de onde saiu para cursar a faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Guarapuava, onde cursou matemática e fez pós-graduação em Metodologia do Ensino de Primeiro Grau.
Nerci conta que se recorda de sua infância com muita saudade, principalmente de seus pais. “Lembro que aos domingos íamos tomar sorvete (esquimó) no bar do senhor João e Maria de Lima após a missa das 9h. Além das brincadeiras de 31, pega-pega, cadeirinha, quatro cantos e brincadeiras com cantigas de roda”. Dentre seus sonhos de criança, lembra também que sonhava em ser aeromoça, mecânica e religiosa. Sua atuação em projetos políticos e sociais já vem desde então, quando juntamente com seus pais, atendia aos pedintes que chegavam ao portão de casa. “Eu era a primeira a correr para atendê-los e dar uma boa palavra, além do alimento de que necessitavam”.
A carreira política nunca esteve nos planos de Nerci, mas as pessoas ao seu redor sempre alertavam que ela se encaixaria muito bem no papel de vereadora. “Inclusive a senhora Eva Schran e a Maria das Graças Brunsfeld me falavam a respeito de uma candidatura, mas a decisão surgiu de uma indicação feita através do Projeto Pelo Bem Comum desenvolvido pela Paróquia Sant’Ana de Guarapuava numa reunião do Conselho Pastoral da Comunidade”. E foi graças ao apoio e ajuda dos familiares, amigos e comunidade que entrou para a legislatura.

Projetos
No início da carreira política surgiram muitas dificuldades, até por que se deparou com um novo meio diferente ao que estava acostumada, e uma mulher negra era “marinheira de primeira viagem” na Câmara de Vereadores. Entretanto, nada impediu que seus projetos tomassem impulso apesar das dificuldades encontradas. São vários os projetos até o momento, dentre eles: Semana de Valorização do Professor e Professora e do Educador e Educadora Infantil da rede municipal de Ensino; Projeto de lei que proíbe a inauguração de obra publica não concluída, institui o “Habite-se especial” no âmbito do Município de Guarapuava; Projeto SOS Guabiroba; Projeto que declara de utilidade pública a Associação dos Amigos da Campina do Guabiroba; Projeto que institui a Campanha de Prevenção aos Acidentes do Trabalho e Doenças Ocupacionais, denominada de “Abril Verde” no município. E em andamento a conversação para a implantação da Guarda Municipal de Guarapuava e aproveitamento do terreno do 26° GAC no Bairro Santana.
Nerci destaca a importância de se preparar, estudar e estar ciente dos problemas e dificuldades encontrados na sociedade, lembrando que o meio político ainda é pouco representado pelas mulheres, isto é, ainda há uma diferença muito grande entre o número de homens e mulheres que ocupam espaços de poder. “Para aumentar o número de mulheres parlamentares deveremos incentivar todas as mulheres para que possam contribuir com esse trabalho que não é fácil e exige amor, dedicação e competência”, enfatiza.
Dando continuidade a seus planos e projetos realizados nesses dois anos e quatro meses como vereadora, Nerci conta que tem lutado em busca de nomes de mulheres que tenham perfil e gostem de lutar por uma sociedade melhor e mais humana. “O caminho é participar mais e mais dos Conselhos da Mulher, da Rede de Combate a Violência contra a Mulher, da Saúde, da Educação, da Promoção Social, do Concidade, etc. Buscando alternativas para resolução de problemas que sejam palpáveis e concretas. Pra mudar a sociedade do jeito que a gente quer somente participando sem medo de ser mulher”.

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