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Olhar sensível: a trajetória de Eva Silvério

Uma paixão que foi surgindo a cada click.

08/05/2023por Revista Visual

Eva Silvério é guarapuavana formada e pós-graduada em Geografia. Desde seus 19 anos, Eva trabalhava em uma instituição bancária, porém, sempre que a perguntavam “se você não fosse bancária, o que seria?”, ela já tinha uma resposta pronta em mente: fotógrafa.

“Ganhei minha primeira câmera analógica na época que ainda não existia digital, em um sorteio, aos 15 anos. Na época lembro que compramos um filme de 36 poses, eu e uma amiga enchemos o carro de roupas e saímos por aí uma fotografando a outra, acho que já foi aí que começou a surgir a Eva fotógrafa”, conta.

Por meados de 2010, ela comprou uma câmera semiprofissional e fez um curso básico de fotografia no Senac, mas apenas por hobby, pois ainda não havia caído a ficha de que essa seria a sua profissão, era somente uma experiência por amor.

Eva fotografava as filhas, as sobrinhas e as amigas. Foi neste momento que começaram a pedir “Eva, fotografa um batizado? Eva, fotografa minha gestação?”, e quando ela se deu conta já estava agendando ensaios. “Comecei a investir em equipamentos, veio a primeira lente, depois uma câmera profissional, a segunda e terceira lente, vieram cursos de aperfeiçoamento, estudos, e aí disse para mim mesma: como assim você não se considera uma fotógrafa? Trata de levar isso a sério”, brinca a profissional.

Quando a fotógrafa encerrou sua carreira de bancária, há 3 anos atrás, ela pode se jogar de corpo e alma na fotografia. Eva conta “sempre senti a necessidade de ter o meu próprio espaço, e quando surgiu a oportunidade montei meu estúdio, proporcionando mais conforto e comodidade para os ensaios internos, com várias possibilidades de cenários, desde o mais clean ao boho, podemos adequar o cenário ao estilo de cada cliente”.

No começo, a empreendedora não tinha um nicho definido, então Eva fotografava eventos, crianças e festas. Porém, em determinado momento de sua carreira, uma cliente a contratou para fazer um ensaio com fotos sensuais. Era um estilo novo em seu portfólio. Este ensaio foi um caminho sem volta, pois Eva encontrou ali o seu objetivo e propósito na fotografia.

“Eu vejo em cada mulher uma poesia única, e eu como amante de poesia, decidi fazer a minha fotografando mulheres, independente do corpo ou da idade. O que eu quero é que cada cliente saia da experiência de um ensaio abastecida de amor próprio, quero que ela se veja através de um novo olhar e enxergue aquela beleza que está além do corpo, aquela beleza que está na essência de cada uma. Quero entregar um trabalho no qual as mulheres se reconheçam, não aquelas fotos comerciais onde elas têm seus corpos e rostos transformados, ou fotografias erotizadas para consumo do público masculino”.  

Eva fotografa por elas e para elas, fazendo fotos com delicadeza e sensibilidade para que possam resgatar a autoestima e a percepção sobre si mesmas, que a partir dessa experiência, possam ter suas relações transformadas, seja como profissionais, mães ou parceiras.

Para a amante da arte, a fotografia é um instrumento de transformação. A empresária conta que recebe relatos de clientes fotografadas dizendo como elas se reencontraram, se descobriram, de como o ensaio elevou sua autoestima, como passaram a se cuidar mais. “Esse é meu combustível, é o que faz a fotografia ter sentido para mim.  Um ensaio não é apenas sobre foto, sobre recordações. Um ensaio é sobre se amar, se aceitar, é sobre perceber seus contrastes e seu lugar no mundo como ser único”.

A essência do seu trabalho está em retratar a beleza de cada cliente e contribuir para que as mulheres aprendam a se enxergar e se amar. Um ensaio é a maior, a melhor e a mais intensa experiência de amor próprio que uma mulher pode viver.

“Quem me inspira? As mulheres me inspiram. Seus sorrisos, seus gestos, seus olhares... Cada mulher merece ser reconhecida como uma obra de arte única”.


"Se eu pudesse te dar algo, te daria a capacidade de ver a si mesmo através dos meus olhos, para que então você perceba o quanto é especial" (Frida Kahlo).